segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Livros clássicos "fáceis" de ler


Hoje meu foco é retirar da sua mente qualquer medo ou preconceito em relação a clássicos. Primeiramente, e por isso o uso das apas no título, não existe realmente clássicos fáceis ou difíceis - o que acontece é a sua confiança no seu próprio vocabulário, e além disso, sua facilidade de deslocar-se para outras épocas e contextos. São pré-requisitos para iniciar qualquer leitura, porém o medo dos clássicos parece colocar uma barreira entre essas obras e o público. 

"Clássico" é como se fosse uma caixinha a parte, todavia contém diversos gêneros dentro dela. Se você não gostou de um, não significa que terá dificuldade com todos.

Mais alguns pontos pra você pensar:
a) O que é um clássico? Indico estes vídeos (clique aqui e aqui) com explicações muito simples!
b) Nem todo livro antigo é clássico;
c) Nem todo clássico é antigo;
d) Não tenha medo, a experiência ler algo fora da sua área de conforto é muito boa.


O Fantasma de Canterville, de Oscar Wilde:
Apesar do nome, não há terror algum aqui. É uma comédia rápida, pra ler em uma sentada. Oscar Wilde - mais conhecido pela obra O Retrato de Dorian Grey - era eclético. Foi escritor, poeta e dramaturgo britânico de origem irlandesa. Vale pena conhecer Sir Simon, pois é impossível não achá-lo no mínimo curioso. As situações e os diálogos envolvendo a família americana que conhece o fantasma são divertidas, com suas peculiaridades; por exemplo, em vez de temer os barulhos à noite, oferecem ao espírito da casa um produto contra a ferrugem para suas correntes! O final também é ótimo. Dá todas as respostas e resolve o problema central. Recomendo.


Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida:
Mais uma comédia, e agora se passa no Rio antigo. Na época denominada Romantismo para a literatura, de uma forma básica e superficial, falava-se em  amores platônicos, acontecimentos históricos nacionais, a morte e seus mistérios. Aqui é justamente a exceção da regra! Nosso protagonista é um malandro, um anti-herói. Muitas tramas, confusões. Uma linguagem fácil, sério. Eu ria demais! Literatura nacional de respeito. 
Dica: procure contos antes de iniciar as obras mais "pesadas". Diversos outros autores clássicos brasileiros, apesar de terem essa ou aquela obra famosa, escreviam histórias de diversos tamanhos e estilos. Para os mais apressados ou medrosos é uma alternativa. Por exemplo, se quer conhecer Machado de Assis devagar, leia A Pianista. 

Orgulho e preconceito, Jane Austen:
Depois de rir bastante, você pode arriscar mais um pouquinho com esta obra um pouco maior, ou nem tanto, pois estamos muito mais acostumados com leituras românticas, certo? A Srta. Austen (sim, senhoria. Ela nunca se casou.) tem uma escrita sarcástica, mas não de rolar de rir, mas de nos fazer sentir a Inglaterra rural e nos fazer pensar no ontem e no hoje. É a minha autora favorita no momento. 
Lizzie Bennett e suas irmãs tem umas situações interessantíssimas, e Darcy é uma trama a parte por si só. Se você gostar, corre pra pegar Persuasão e Mansfield Park. São protagonistas diferentes de Elizabeth, não se esqueça, porém igualmente interessantes.

O Sol é para todos, Harper Lee
Gostou de pensar sobre as relações humanas? Este livro é sobre justiça, igualdade e lida com o racismo nos Estados Unidos na década de 1930. Atticus é um advogado que defende um negro acusado de estuprar uma mulher branca. Narrado por uma criança de 6 anos, os problemas que estão na sociedade são refletidos e narrados pela sua ingenuidade. Já comentei um pouco dele aqui num post. Vale super a pena, e o apego aos personagens é algo quase automático.


Bônus: qualquer livro da Agatha Christie 
Ter contato com a Rainha do Crime é algo simples de se fazer. Há milhares de edições por aí, formatos online, traduzidos ou em inglês. Há as obras mais famosas como Assassinato no Expresso do Oriente ou E não sobrou nenhum. Já tive contato com Cipreste Triste, Morte no Nilo, Unexpected Guest, O homem do terno marrom (minha primeira leitura dela!), Os Crimes ABC e Mistério no Caribe. Recomendo todos e espero ler mais obras dela.

Enquanto fazia este post vieram muitos clássicos na minha mente, porém achei melhor focar só nesses. Quem sabe numa próxima eu escrevo focado em apenas um gênero ou autor? Fiquei empolgada! 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

#MLI2017: resumo das 10 leituras

A melhor coisa da Maratona é nos relembra que é possível ler bastante quando a gente quer. Sempre digo que invejo a Rayssa de 2010-2012 - talvez por um horário mais flexível, ou pelo estilo das leituras que tinha ou realmente era mais rápida - eu lia muito mais do que atualmente e sinto falta disso. Esses eventos me fazem relembrar o quanto é bom dar mais tempo para os livros. Sempre saio renovada. E neste ano, houve muita variedade (confira aqui a TBR inicial).


A primeira semana foi a melhor. Já comentei sobre aqui no blog. Alternei entre contos e livros, totalizando 4 leituras. Esse esquema deu leveza e gás, dando o impulso necessário pra segunda etapa. Ao contrário do que esperava, enfrentei o problema de escolhas pouco fluídas: Hamlet e 1001 perguntas e respostas sobre ciência. O primeiro, complicou por ser formato online, acrescido da escrita mais densa. O início da trama me capturou, porém percebi que esta leitura pede o livro em mãos. Diferentemente de 100 anos de moda (maratona de 2015), 1001 perguntas e respostas possui muito mais textos, e é muito maior do que parece. Guardei, deixei marcado ontem parei e pretendo avançar aos poucos.

Então, pra recuperar o ânimo escolhi minha zona de conforto: aventura e fantasia. Meu pai achou mais algumas de suas antigas HQ's do Batman, a série Lobisomen. Li tudo em uma noite, antes de dormir, já emendando com Magnus Chase e a Espada do Verão, levando três dias pra acabar este. Era uma releitura necessária: uma mitologia muito detalhada que da primeira vez prejudicou minha leitura, pela novidade. Agora, tenho certeza que quero ler o segundo volume da saga e que entendi corretamente a história.

Planejava que este fosse o fim de minha maratona, entretanto ela foi prorrogada! Foi até o último sábado (05/08). Fiz um curso na faculdade, mesmo estando de férias e só consegui ler Lucílola, de José de Alencar. Não estava na TBR, foi outro achado das caixas aqui de casa. Comecei Nascido para a batalha, de R. Arthur Mathews só que ficou apenas na metade mesmo, nem considero na estatística.

Enfim, isso foi um resumo destas 3 semanas. Já saiu resenha, dê uma conferida! Estarei esperando ansiosamente a próxima maratona. Para mais detalhes da #MLI2017 dê uma olhada no meu Twitter e no Instagram do blog.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Resenha: Como eu era antes de você


Maratona Literária de Inverno foi prorrogada e esta semana teremos ainda uma atualização sobre. Por ora, resolvi compartilhar minhas impressões deste livro - que nem estava na TBR - surpreendente. Como eu era antes de você foi a terceira leitura da #MLI2017 e estava pedindo uma resenha.

Sinopse: Aos 26 anos, Lou não tem grandes ambições na vida, como viajar o mundo todo ou comprar um carro de luxo. Não faz faculdade ou coisas radicais, entretanto possui uma personalidade radiante. Ela trabalha numa cafeteria perto de casa e possui um namoro estável. Ao ser despedida, e com suas poucas qualificações, ela passa a ser cuidadora de um jovem ranzinza tetraplégico rico que a assusta por sua falta de empatia e por sua família distante. Mesmo odiando sua situação, suas motivações começam a mudar de apenas sustentar a família para conhecer melhor seus patrões com o passar do tempo.


“Ser atirada para dentro de uma vida totalmente diferente — ou, pelo menos, jogada com tanta força na vida de outra pessoa a ponto de parecer bater com a cara na janela dela — obriga a repensar sua ideia a respeito de quem você é. Ou sobre como os outros o veem.”
O mais interessante da escrita de Jojo Moyes é a facilidade com que ela transita de expressões sensíveis para a descrição de atividades cotidianas. É uma coerência com o crescimento de proximidade entre os personagens também, de certa forma. Quando você passa muito tempo com uma pessoa querida, e pensa no tempo que estiveram juntas, as memórias mesclam o sentimental com o simples narrar dos fatos, e foi isso que eu senti aqui. Esperava somente um romance meloso, porém recebi uma amizade que foi construída de maneira sincera e natural. 

A narração tem certas interrupções com capítulos exclusivos de alguns personagens. Achei bacana a flexibilidade, o cuidado para que o melhor da história nos fosse passado. Mesmo assim, serei sincera: não pretendo ler outros livros da autora. É gostoso, foi uma ótima história, por enquanto basta. Talvez pelo meu limite de tolerância quanto aos romances, porém em nada tira o mérito deste livro.

Outra situação que me cativou é a relação secundária desenvolvida entre Lou e sua irmã; achei muito realista: duas pessoas cheias de diferenças, porém que se amam e buscam o bem uma da outra acima das diferenças (e que diferenças!). Eu tenho uma irmã mais nova e foi fácil me identificar com as duas personagens em momentos variados.





Este livro não procura dar lições de moral ou um graaaande drama. É uma história que produz um efeito reflexivo sim, mas ao longo dela inteira. Você se conecta aos personagens gradualmente, sentindo a raiva, a tristeza e alegria dos dois protagonistas, entendendo as duas situações. Quanto ao desfecho, achei apropriado. Algo diferente disso daria um tom fantasioso, contrariando todo o estilo da trama. A autora deixou a janela de discussão aberta de maneira clara, exemplificada pela a situação com a mãe da Lou.

Como eu era antes de você aplica-se a várias situações, porém todas vindo de um único catalisador. Há diversas transformações aqui, amadurecimentos.

Não assisti o filme ainda, mas já li imaginando os atores nos acontecimentos. E ao ver a descrição dos personagens, isso só aumentou, realmente achei os escolhidos parecidos com o livro. A história pra mim parece simples de se reproduzir fielmente, então com certeza estou curiosa.

Fui surpreendida. Muito bom o livro, com certeza! Indico para todos e também acho que por ser uma trama com desenvolvimento equilibrado entre o suave e o cotidiano, pode cativar pessoas sem o hábito da leitura, o que é ainda mais incrível. Até logo, gente!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Resenha: Os últimos dias de Krypton

Esta leitura foi antes da maratona, mas tão importante quanto a do período citado. Durou mais que o normal, por conciliar com leituras obrigatórias e as aulas. Além da trilogia Thrawn, foi meu contato com a literatura de ficção científica/fantasia em 2017.



Preciso comentar a edição. Com uma guarda verde-fluorescente - o que achei bem apropriado - e início de capítulos caprichados. Os intervalos no meio da história tem suas separações como se fossem os "brasões" das famílias krypronianas. Há também uma pequena nota e um prefácio sobre o autor e a história no cenário da ficção científica como um todo.


Antes do já conhecido Homem de Aço e o que aconteceu para que ele estivesse entre nós, Krypton tinha vida. Um governo, interesses, um ecossistema diverso, famílias importantes e influentes. Para um planeta ser destruído, não basta apenas explosões. É necessário grandes eventos - inevitáveis ou causados por uma busca incessante de poder  - em que surgem alguns dispostos a tentar salvar os outros (ou não).

Levei certo tempo para entrar no ritmo da história. São muitos personagens, e tratando da ampliação de um universo, é uma escrita mais lenta. Detalhismo na medida certa, tanto do planeta, como das relações familiares. A impressão que tive é que o autor tinha consciência do prévio conhecimento público da história, mesmo os menos aprofundados no assunto.

Ele não enrolou para chegar onde precisava, mas também não deixou que os personagens ficassem sem personalidade, o que foi muito importante. Estamos lendo por causa do Super Homem, mas não queremos ficar em sua sombra. Queremos conhecer sua família e entender de onde vem a sabedoria dos cristais da Fortaleza da Solidão, seu futuro vilão - desde já maquiavélico, - buscando seu posto de General. Para quem teve contato com a série Supergirl é interessante a mesclagem do imaginário que pode-se fazer.

Ele está te observando lendo essas coisas desse kryotoniano metido, hein


Minhas únicas ressalvas foram o tom apocalíptico repetitivo. Há um momento em que você pensa: "outra catástrofe, cara?", mas logo equilibrava com a ideia de que se fosse apenas um grande evento talvez ficasse raso ou exagerado. Além disso, estamos lendo um livro baseado no universo das histórias em quadrinho heroicas. Não dá pra pedir algo normal, certo? Outra ressalva é que a concepção "somos mais evoluídos porque temos essa tecnologia" ou "para evoluir ainda mais precisamos abrir os horizontes tecnológicos" acompanha toda a trama. Em tempos de aquecimento global e destruição contante do nosso ecossistema, isso cansa. Esta postura estava pouquíssimo ligada a destruição de Krypton, pelo contrário, está normalmente ligada a esperança. Há catalizadores muito mais desenvolvidos aqui que abafam uma possível tentativa de crítica ao nosso modo de vida. 
"Essa ameaça é fruto da sua imaginação... ou pior, um plano para desviar a minha atenção a fim de que a rebelião de seu irmão possa ganhar força." (p.368)
No geral, uma leitura que cativa fãs e pode criar mais alguns. Não precisa ser expert na DC Comics para ter sua curiosidade alimentada ao longo da leitura. Uma história rica e com gostinho de quero mais. Sendo nerd de carteirinha, o livro me deixou com ainda mais vontade de ter contato com as HQ's do Kal-El.

 

domingo, 30 de julho de 2017

Para nós


Em 2013 criei a categoria "Pensamentos da Blogueira". Eu sempre amei nomes com efeito, o blog estava crescendo e eu queria me descobrir na escrita. Diferente da descrição que imaginei, não fiz fic alguma e falei duas vezes apenas sobre política, acho. Também deixei as reticências nos posts antigos. Então, ao ler um texto de um blog que não lembro qual, assimilei uma coisa que já estava em mim faz tempo: a gente não escreve (só) pra gente. 

Cada postagem é publicada para nós. Se quisesse algo só pra mim tudo isto aqui estaria em um caderno, não em uma página na internet. Assim como esta explicação: não existe mais os pensamentos "da blogueira". Agora, temos um espaço para nós. Meus escritos misturadas aos seus compartilhamentos.

Eu quero te convidar a escrever. Em tempos de Youtube, a coragem de aparecer para a câmera foi levantada e eu quero te dar o suporte para este outro tipo de exposição muito mais antiga, porém com uma renovação cotidiana. Arquivar a si mesmo, contemplar a própria existência, este é o meu convite.