quarta-feira, 3 de maio de 2017

Cortina


Estar no meio do furacão, como será? Em meio a música que toca como plano de fundo na minha mente penso em nossa vida. Nossa. Ninguém vive sozinho. Podemos querer certo isolamento, certa privacidade para conseguir ouvir até o que não é tão bom de perceber, como aquele defeito quase incontrolável. Aqueles pensamentos indesejáveis. Minhas lembranças, suas, nossas.

Nem todos possuem sapatinhos de rubi esperando na hora de sair da casa. Nem todos sentem necessidade de sair das quatro paredes. Não que o concreto tenha todo esse poder separatista, não é mesmo? Coloco certa impotência em mim mesmo como desculpa, tentando diminuir minha culpa, minha responsabilidade pela ausência dos sons. Em tudo estamos juntos, é tudo nosso. Se eu quiser, não será a cortina que vai me segurar.

Incontáveis fins de semana, saídas de ônibus e chegadas aparentemente solitárias. Não se engane, é tudo nosso. Você nunca sabe quem está observando o teu agir. O chapéu não é o melhor disfarce, já esqueci. Se as coisas estão estranhas lembre-se de mim, por favor. Não deixe a cortina me impedir. Tire o fone do meu pescoço, enrosque o teu abraço naquele que precisa. Saberás identificar quando esquecer e quando dar importância ao relógio, fique tranquila.

Ah, o tempo. Gastei demais dele na janela, tendo medo de retirar o cachecol e sentir o vento. Agora, o casaco está guardado e vou esperar o teu abraço e a tua delicadeza. As nossas lembranças. As famílias dos amigos, os porteiros, as professoras, os conhecidos. É tudo nosso. Não deixe a cortina me deter.

Estar no olho do furacão é permitir a presença daquele redemoinho que cerca. Com o carro, com a telha, com o cavalo, com o pincel, tudo gira, se mexe e remexe e se revolta em si mesmo. Tudo nosso. Tudo teu e meu ao mesmo tempo. Redemoinho que arrasta, cortinas que me enrolam e me afastam. Pegou o meu relógio, menina? Faça o tal resgate das quatro paredes e leve para fora. Leva contigo pra passear, coloca o afeto e a paz e o tempo que passa. Passeie para ti, para o que é meu, o que é nosso e o que será.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Tecido


Respeitei o silêncio, apesar da minha curiosidade. Meu desejo de saber que estava tudo bem ou tudo indo mal. Tantas mudanças aconteceram com a cumplicidade, desde a grande necessidade de mantê-la até mesmo os intervalos quase invisíveis, que talvez apenas eu tenha sentido. Em todas as conversas, duas pessoas aparentemente mais frias e racionais, deixavam suas máscaras caírem e entre risos e filosofias construíam o tecido que hoje as une. Amizade é entender a quietude, assim como se aturar os barulhos por ela produzidos.

Narrador observador é o que sou, não me deixo envolver. As histórias que presencio se entrelaçam, e a maioria delas é construída com furos. Chamo atenção para alguns afastamentos entre os pontos dados pela agulha. As máscaras caídas durante cada conversa eu guardei nas minhas lembranças, pois não é todo dia em que podemos conhecer as metades das pessoas. Os bancos da escola ainda possuem marcas de tênis, dos momentos em que vocês sentaram de perna cruzada e me deixaram ouvir seus pensamentos sem ressalva.

Quando o ano acabou o que me sobrou foram as conversas de Whatsapp que passaram e ainda acontecem. No interior do peito já bateu saudade daquele jeito cheio de vergonha de vocês antes de falar algo sério, muito antes de ficarem à vontade, mesmo sem nada pra expressar. O silêncio já não significa afastamento, significa pausa e respirar pra assimilar. Talvez seja brega, porém posso afirmar que as respirações coincidiam, juntamente aos olhares.

Não se trata de romance. Mesmo que fosse, podemos concordar que nem todo romance consegue evoluir para tal ponto. Os devaneios presentes nesta carta que escrevo referem-se a duas pessoas que conheceram-se durante anos e agora com a distância permanecem com seus corações ligados. Não se trata de romance, mas sim de carinho e respeito por uma memória construída de forma coletiva. Trata-se de fotos de caderno compartilhadas, músicas ouvidas em conjunto. Trata-se de uma blusa emprestada. Refere-se a amigos e o que devemos compartilhar com eles.

Graças a norma da língua chamo meus personagens ora de "eles" - quando uso "amigos" no seu sentido mais genérico - ora de "elas" - quando pessoas -. Você sabe o quanto adoro um melodrama em meus escritos, portanto posso destrinchar a identidade daqueles que vi ou fui, no futuro (ou não). Adoro metáforas e mistérios, mesmo que talvez cometendo algum deslize em minha técnica, peço-te que me avise rápido para continuar enfeitando meus pensamentos. É a beleza de utilizar o e-mail.

Deixo agora meu silêncio, minha pausa com a agulha. A lição daquilo que observei já aplicamos faz tempo, mas gosto de me enxergar nos outros, de exercitar. Até breve.

sexta-feira, 10 de março de 2017

O ECC está no Instagram

O blog não para! Mais uma forma de acompanhar o conteúdo pra você!

Até 2015, o meu perfil pessoal do Instagram era público. Por questões de segurança e privacidade, decidi torná-lo privado. Não fez tanta falta, pois o conteúdo postado lá não complementava em nada o do blog. Por outro lado, com  a minha dificuldade no ano passado em atualizar o blog, senti que precisava buscar alternativas de publicação.
































Já está cheio de conteúdo! Tem coisa relacionada as postagens, coisas que compartilhei apenas no perfil do Instagram. Enfim, siga @estacaocomcor e não perca nada!

As outras redes sociais:
Twitter: @rayssalf
We♥It: @rayssalf

quinta-feira, 9 de março de 2017

O poder do hábito: dicas de organização (vida real)


Uma coisa que eu aprendi é que não adiantar fazer um agenda fofa e colorida, dividir em 3984563 cadernos cada meta da sua vida ou fazer um bullet jornal quando você não tem tempo pra isso. Existem dezenas de blogueiras contando suas rotinas matinais com seus planners que foram dados ou adquiridos com um belo desconto em troca de publicidade. Não há problema algum nisso, é importante ressaltar, mas essa realidade é restrita a um grupo pequeno comparado àqueles que trabalham e/ou estudam e possuem uma rotina pesada. Organização precisa ser medida de sobrevivência: deve estar agarrada ao seu cérebro, como parte de quem você é e como põe em prática suas tarefas.

Vamos revisar 4 definições práticas, mas que esquecemos com facilidade.

1) Aprenda com O poder do hábito. [Livro já resenhado no blog, confira.]
Uma coisa que o livro é sobre o loop do hápito. Tudo que nós fazemos automaticamente consiste uma estrutura simples, que o autor explora e abrange ao longo do livro. (Muito) resumidamente: a deixa é o ato inicial, o que diz ao cérebro que a rotina será realizada; transforma-se em um hábito por conta da recompensa que você cria para si mesmo ao final daquela rotina.

Como usar isso na organização? Para que o ato e anotar/riscar/checar se torne um hábito você precisa criar um padrão. Uma deixa para o momento de parar e pensar no seu dia, criar uma rotina (não é fácil, o próprio autor reconhece) e a recompensa ao final daquilo.




















Exemplo: você decide começar a fazer exercícios logo depois que chega do trabalho. Então a sua deixa é chegar do trabalho e colocar seus tênis. A rotina é a corrida em si e a recompensa: um bombom na volta para casa! Dessa forma você sempre tem algo a esperar depois da corrida, e a recompensa acaba se tornando o motivo pelo qual você continua a praticar a rotina. Aí de repente você se pega no meio do dia esperando pelo momento em que vai comer o bombom, e é aí que se criam os hábitos.

2) Divisões eficientes
Nada 38947684397 cadernos, mas também nada de apenas 1 recurso. Deve existir um equilíbrio enrte os planejamentos a longo prazo e o utilizado em questões emergenciais. Minha sugestão? Uma agenda boa, simples, de tamanho médio com planejamento mensal (penso que planners são pra quem já domina a arte de anotar) e um calendário no celular com lembretes rápidos, como "padaria" ou "mandar mensagem pra fulano".

Organizar pode não ser algo automático de incorporar e dar até certo trabalho, mas o ideal é que seja o mais otimizado e simples possível. Se não for simples, que seja por seu prazer em fazer esse tipo de coisa. Afinal, eu gosto de uma boa agenda e tem muita gente por aí também.


3) Flexibilidade
Talvez você descubra que suas ideias iniciais não estão dando certo. Hora de parar e pensar no que está de deixando perdido, sem culpa. Vai que você descobre que anotar não serve pra você? Hora de buscar alternativas.

4) Alternativas
Uso do despertador com um lembrete ou uma palavra-chave, desenhos colados na parede, gravação de voz, mural com post-its, entre outros. Óbvio que também requerem tempo ou um pouco de escrita, porém com paciência você com certeza vai descobrir formas de sistematizar suas tarefas.

Galera, é isso! Espero ter ajudado. Compartilhe com aquele seu amigo enrolado, que tal? Beijos!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

4 dicas pra postar as férias no Instagram

O verão está passando, e mesmo odiando o sol quente, o suor e o desconforto, há de se convir que é a melhor época pra viajar. Aqui no Rio de Janeiro a praia é praticamente uma atração obrigatória em janeiro. É foto pra todo lado. Já em dezembro o Facebook fica lotado de fotos de mar. Parece até que o calor aumenta só com o desejo de ir pra água. Pensando na viagem de carnaval, naqueles que não curtem a folia e preferem estar bem longe dela (eu mesma), essa vibe paradisíaca cai muito bem.

Bora focar num Instagram bonito então


1- Divirta-se registrando
O dia merece uma foto? Então tire duas, três ou quatro. Pra quem gosta de postar, muito é sempre pouco. Deixa aquele pôr do sol guardado pra quando você quiser deixar seu perfil todo tropical combinadinho, mas não vai sair ou simplesmente não quis tirar foto (qual o problema, não é mesmo?)


2- Não tenha medo do overpost. 
É o termo chiquezinho pra quando se posta demais, muita coisa de uma vez. Só que pensa comigo: assim como é bom ter muitas fotos guardadas, não dá pra guardar pra sempre. Exemplo: dia 1 - praia (10 fotos, sendo 6 lindas); dia 2 - museu (15 fotos, sendo 7 lindas); dia 3 - passeio ao ar livre (muita foto de planta); percebe? Se você ficar guardando demais, o ato de postar que deveria ser parte da diversão se torna obrigação. Toda hora ficar pensando "não posso postar mais" "amanhã posto essa, essa e aquela". Cansa. Posta 3 fotos de uma vez meeesmo, relaxa.


3 - Não exagere no overpost.
Afinal, são tantos recursos. Você pode escolher entre o Snapchat, um álbum no Facebook, boomerang do Instastorie. Postagem exagerada no Instagram não é pra ser o pecado da internet, mas a rede social é feita pra postar uma foto de cada vez por algum motivo. São os melhores momentos, não todos eles. A etiqueta dessa rede social pode parecer fútil, mas se você não for escravo dela está tudo bem. O importante é só ter bom senso.


4 - Criatividade e inspiração.
Essa é clichê, mas sempre vale lembrar. Pesquisar imagens, principalmente com o celular que é leve e prático, é muito divertido pra quem gosta. Gaste uns 10 min no We heart it (se quiser ver meu perfil está na barra do lado), por exemplo.

Espero que tenha sido útil! Até o próximo post.